sábado, 3 de julho de 2010

"Era do Fast-Food, Fast-Cars, Fast-Love".

Hoje não tenho nenhuma história bonita para contar, portanto alerto os leitores para a possibilidade de não terminarem o texto mais sorridentes que no início.

Aqui há uns tempos ouvia-se falar de romantismo e de amor eterno. Era uma coisa tão linda...

Imaginem: havia reis maus, vilões do far-west, e outros bandidos do gênero, mas eram sempre poucos, e para eles havia sempre à altura um enviado herói representante do amor e da justiça (da lei também, quando a lei era feita por reis e governantes justos).
Os bons ganhavam sempre, ficavam com a princesa ou com a menina mais querida, bonita e simpática da cidade, com um castelo e as riquezas e recompensas pelos seus atos heróicos, ou partiam em direção ao por do sol no seu cavalo branco, enfim... Viviam felizes para sempre.
E os homens dos filmes (a preto e branco) cantavam, eram charmosos e vestiam-se bem, ofereciam o casaco às pequenas na noite fria, falavam eloquentemente em prosa ou poesia, e faziam tantas outras coisas românticas.
As pobres mulheres dessa altura pareciam ser uns anjos...aliás, não era por acaso que a dada altura os anjos eram representados como mulheres aladas. Toda a mulher cujo comportamento fosse marginal, era sem dúvida responsabilidade de algum brutamontes sem coração, barrigudo e estúpido que abusou tanto da moça que ela, pobrezita, acabou por se desviar do "caminho da luz e da pureza".
E as coitadas que apenas queriam um homem sincero que as amasse.
Lembro-me também que a partir de certa altura os bons da fita já não tinham apenas uma mulher, e as mulheres por seu lado começavam a demonstrar alguns comportamentos que só se viam antes nos homens.
As mulheres tornavam-se sedutoras, fumadoras, agressivas, descontroladas e impulsivas. E os homens foram perdendo o romantismo. Já ninguém morria por amor. Podia-se arriscar a vida pela "boazona" da fita, e era certo que o herói a salvava ou era ela que morria colocando-se em frente à bala. No fim o herói acabava com qualquer boazona que levava para a cama, acabando o filme com um beijo (mas já sem o feliz para sempre). Foi a "Era do 007".

O romantismo já era um mito de outros tempos. Iniciava-se a "Idade do Engate". Agora o "vencedor" era quem dava a tanga mais estilosa, o tipo corajoso com ar misterioso que nunca se revelava, mas atrás dos óculos escuros podia esconder qualquer realidade. A intimidade era coisa de velhos, dos casalinhos de avôzinhos queridos que nas suas faces cheias de rugas irradiavam o sereno sorriso da matura felicidade e de toda a vida ao lado do seu amor.





Indústria, evolução, grandes cidades, muita gente, cada vez mais gente, cada vez mais, e mais distantes. As mulheres lutam pelo poder, pelo direito de serem livres como o eram os homens.
Emancipação da mulher para um lado, igualdade de direitos para o outro, e as mulheres aos poucos ganharam o direito de serem "homens", ou melhor... ganharam o direito serem tudo aquilo que era criticado nos homens. As tolinhas que acreditavam no amor dos filmes, eram apenas as camponesas antiquadas, que sonhavam em ir para a cidade, conhecer um "príncipe" e viver feliz para sempre.
Agora as mulheres da cidade já não eram assim. As mulheres da cidade eram modernas e dinâmicas. Agora as mulheres já tinham o direito de dizer palavrões como os homens, dizer ao homem idiota "queres jantar então faz tu!", de trair o marido com o vizinho musculado, o polícia que lhe tinha perdoado uma multa e com quem tinha estabelecido uma relação secreta, ou o melhor amigo do homem com quem foi trocando olhares naquelas noites em que os homens se juntavam lá em casa para jogarem poker.
As mulheres ganharam ganho os mesmos direitos dos homens numa altura em que "bons homens" já eram poucos.
E agora, já não há homens como antigamente, nem mulheres como antigamente. Os príncipes morreram, foram-se embora com as princesas ou então desistiram da carreira quando foram traídos pelo pirata do reino, e agora as mulheres eram seduzidas pelo objetos, pelo carro do homem, pelo físico musculado de quem passa metade do dia no ginásio ou ingere esteróides para inchar (o que revela a mente profunda de quem consome drogas para trabalhar a sua aparência), ou ainda pelo poder e dinheiro do homem, e pelas oportunidades profissionais que dormir com ele podiam trazer.
Os homens destes dias? Broncos, pobres idiotas e falhados. Os românticos estavam todos mortos ou tinham-se tornado poetas ou artistas alimentados pela inspiração das drogas. Charmosos, só os que participavam em filmes com papéis de personagens de histórias antigas.
Homens inteligentes? Só os enfezados do clube de ciências, de quem só as miúdas (marronas) menos populares se aproximam.
O calor do amor substituído pela paixão e pelo fascínio de engatar alguém completamente desconhecido numa noite dos bares ou na discoteca, onde a música alta, a falta de iluminação, drogas e álcool alimentavam todos os pensamentos menos o de encontrar ali o "amor da nossa vida".

É a "Era do Fast-Food, Fast-Cars, Fast-Love". Tudo é rápido e tão superficial como...tudo. A vida tornou-se uma corrida à adrenalina, não há limites, nem físicos nem mentais. A racionalidade morreu, agora é altura dos sentidos tomarem conta do jogo. Há que aproveitar a vida, e o amor é coisa de velhos.

Oh...os príncipes e as princesas morreram... não há tempo para se amar ninguém - o amor morreu por falta de manutenção - morreu de fome como um cão esquecido.
E os anjos? Os anjos não nos salvam?

Os anjos já não encontram corações puros, porque os humanos aprenderam a fugir aos corações com estimulantes, calmantes, esteróides, sexo e carne. O mundo tornou-se tão grande e cheio de coisas, e o ser humano tentou engolir tanto e tão depressa, que o coração ficou soterrado. Agora, da mesma forma como a Mãe Terra ficou envenenada com poluentes, seus rios sujos e seu ar pestilento, o ser humano encheu-se de químicos, sujou todos os seus fluidos corporais, e respira o ar e bebe o ar que ele próprio empestou.
Os corações? Esses fugiram com os príncipes ou decidiram hibernar, esconderem-se num bloco de gelo para não serem quebrados, porque se ninguém o fizer, o seu próprio dono tratará do assunto. Fugiram e agora quem os quiser encontrar só talvez na madrugada de Sábado para Domingo, quando a loucura da noitada foi forte o suficiente para matar a insanidade de mente, e o coração consegue respirar num sonho....
Os príncipes passaram de moda...
As serenatas desapareceram...
Os artistas enamorados morreram de fome porque o amor não rendia...
E os anjos?
Os anjos morreram, envenenados em oceanos de poluição enquanto tentavam chegar aos corações afundados.

By Paulo Trindade Escrita Tribal

sábado, 19 de junho de 2010

CARPE DIEM

Day and night I toss and turn, I keep stressin' my mind, mind.

I look for peace, but see I don't attain.
What I need for keeps this silly game we play, play.
Now look at this.
Madness the magnet keeps attracting me, me.
I try to run, but see I'm not that fast.
I think I'm first but surely finish last, last.
‘Cause day and night,
the lonely stoner seems to free his mind at night.
He's all alone through the day and night.
The lonely loner seems to free his mind at nite, ah ah at nite.
Day and night.
The lonely stoner seems to free his mind at nite.
He's all alone, some things will never change.
The lonely loner seems to free his mind at nite, ah ah at nite


Hold the phone.
The lonely stoner missed his solo doe low.
He's on the move, can't seem to shake the shake.
Within his dreams he sees the life he made.
Made.
The pain is deep.
A silent sleeper, you won't hear a peep, peep.
The girl he wants don't seem to want him too.
It seems the feelings that she had are through.
Through.


Cause day and night.
The lonely stoner seems to free his mind at nite
He's all alone through the day and night.
The lonely loner seems to free his mind at nite, ah ah at nite.
Day and night.
The lonely stoner seems to free his mind at nite.
He's all alone, some things will never change.
The lonely loner seems to free his mind at nite, ah ah at nite

Slow mo.
When the tempo slows up and creates that new, new.
He seems alive, though he is feelin blue.

The sun is shinin man he's super cool.
Cool.


"The lonely nights, They fade away he slips into his "toys"
need to drink Cîroc or Black Label"

To free his mind in search of...
To free his mind in search of...
To free his mind in search of...


"Surprisingly, he awoke the next morning with absolutely no trace of a hangover!"


Day and night.
The lonely stoner seems to free his mind at nite
He's all alone through the day n nite.
The lonely loner seems to free his mind at nite, ah ah at nite.
Day and night.
The lonely stoner seems to free his mind at nite.
He's all alone, some things will never change.
The lonely loner seems to free his mind at night, ah ah at night.






"Doesn’t that sounds insane? He's still feelin the Cîroc and black label crown from last night, was floating in drunken bliss, he was definitely intoxicated, but the alcohol rose lightly on his stomach, and he still felt as though he was in control. Was just a crazy night. Naturally, couldn’t stop this delight at merely some nights, some things will never change.”

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Convite - Oriah Mountain Dreamer

Eu quero saber...

Não me interessa o que você faz para viver, eu quero saber o que de fato você busca e
se você é capaz de ousar sonhar em encontrar as aspirações do seu coração.

Não me interessa a tua idade.
Eu quero saber se você será capaz de se transformar num tolo, para poder amar, viver os seus sonhos, aventurar-se de estar vivo.

Não me interessa qual o planeta que está em quadrante com a tua lua.
Eu quero saber se você tocou o centro da tua própria tristeza,e se você tem sido exposto pelas traições da vida ou se você tem se contorcido e se fechado com medo da própria dor.
Eu quero saber se você é capaz de ficar com a alegria, a minha e a sua.
Se você é capaz de dançar loucamente e deixar que o êxtase te envolva até a ponta dos dedos dos pés e das mãos, e sem querer nos aconselhar a sermos mais cuidadosos, mais realistas ou nos lembrar das limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que você está me contando é verdadeira.
Eu quero saber se você é capaz de desapontar o outro para se verdadeiro consigo mesmo.
Se você é capaz de escutar a acusação de traição e não trair a sua própria alma.
Eu quero saber se você pode ser confiável e verdadeiro.

Eu quero saber se você pode ver a beleza, mesmo quando o dia não está belo,e se você pode conectar a sua vida através da presença de Deus.

Eu quero saber se você é capaz de viver com os fracassos, os teus e os meus,e mesmo assim se postar nas margens de um lago e gritar para o reflexo da lua, "SIM" .

Não me interessa onde você mora ou quanto dinheiro você ganha,
eu quero saber se você é capaz de acordar depois da noite do luto e do desespero,exausto e machucado até a alma, e fazer aquilo que precisa ser feito.

Não me interessa o que você é, ou como você chegou aqui.
Eu quero saber se você irá postar-se no centro do fogo comigo e não fugir.

Não me interessa onde, o quê ou com quem você estudou.
Eu quero saber o que te sustenta interiormente quando tudo o mais desabou.

Eu quero saber se você é capaz de ficar bem consigo mesmo, e se você realmente é boa companhia para si mesmo nos momentos vazios.


Oriah Mountain Dreamer

Skank -- Sutilmente



“Até que progredi bastante, mas o futuro inquieta. Reconheço que parte da graça da vida está em deliciar-se com o imponderável, com a nossa pequenez diante da vontade de Deus, do destino (que podemos, sim, mudar…) ou de vetores incontroláveis. O amor, por exemplo, que é volátil e fugidio, traz um tanto de desassossego, mas, quando pousa no ombro, traz uma súbita alegria.” Trecho do livro ‘A maratona da vida’, de William Douglas, pág. 15



Sutilmente - Skank


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti


Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.

Porque era ele, Porque era eu.

Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure pra sempre!

Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos!
E apesar de saber de tudo isso. Porque algumas dores duram tanto?
Porque alguns sentimentos (diga-se de passagem os mais ridículos) demoram tanto a passar?
Porque olhar pra ele reaviva esperanças pedidas e suscitas lágrimas quentes até então contidas?
Porque o cérebro ainda não inculcou no coração que esquecer faz bem a saúde?
Porque tudo não pode ser como um bonito filme francês?
Chico Buarque

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Felicidade possível


Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for. O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento. A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial. A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido; é da mesma natureza).
Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar. Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas. Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver). Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar. Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc, é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido. Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade. Arthur da Távola


Benfícios da Meditação

A síntese do que é meditação pode estar na explicação do monge budista tibetano, Tenzin Gyatso, conhecido internacionalmente como S.S. o 14º Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz. Em sua vinda a Curitiba, no Paraná, ele definiu meditação ao dizer: "É engano pensar que quando alguém está meditando, este alguém está ocioso. Na verdade, o indivíduo que se põe a meditar não está 'fazendo nada', como muitos pensam. Ele está, sim, travando a mais dura de todas as batalhas, a batalha consigo mesmo".

O Mecanismo da Dor

A dor é definida como um sentimento desconfortável que nos diz que algo está errado em nosso corpo pela AHCPR (Agency for Health Care Policy and Research). É a forma que o corpo tem de enviar um alerta ao cérebro. Nossa medula espinhal e nervos fornecem o caminho para que as mensagens vão e voltem no cérebro, indo também às outras partes do corpo. Nossas milhares de células nervosas na pele sentem o calor, o frio, a luz, o toque, a pressão e também a dor e enviam a mensagem via medula espinhal até o cérebro.Mas existem alguns fatores que diminuem ou eliminam a dor, entre eles: o sono, os remédios, a hipnose, a meditação. O clima também influi na dor e em sua reincidência, sendo inúmeros os casos em que pessoas que tiveram acidentes, ou portadoras de artrite ou outras doenças que causam dor, que relatam sentir a mesma dor quando o tempo muda ficando chuvoso ou frio, por exemplo. É como se o cérebro tivesse uma 'memória para dor', que torna a voltar como da primeira vez que a dor foi sentida, quando circunstâncias ambientais semelhantes àquele dia tornam a acontecer.
Nossa expectativa e nossa postura mental, assim como nossa sugestionabilidade diante da dor são fatores decisivos para seu controle - pessoas que ouviram histórias parecidas com as suas 'sabem' de antemão que sentirão dor, e realmente sentem. Enquanto que outras, que simplesmente ignoram a dor (de um parto, por exemplo), passam por ela sem maiores problemas.
O controle da dor vem sendo estudado pelos médicos, pois já foi confirmada a forte relação entre ela e a recuperação de uma doença ou de uma cirurgia. De maneira geral, a medicina reconhece que o aumento da dor está ligado à adrenalina e noradrenalina (indivíduo em estado de alerta), enquanto que a ausência de dor está ligada à endorfina (indivíduo relaxado).
O controle da respiração e o relaxamento colaboram de modo significativo para o controle da dor, diz Dr. Ernest L. Rossi, hipnoterapeuta ericksoniano, o que mostra que a mente e o cérebro têm uma grande participação nesse processo.
Quando um paciente vai passar por uma cirurgia, ele colabora muito mais com o médico e sua recuperação é bem mais rápida se, antes, ele é informado passo a passo do que vai ser feito e pode acompanhar as próprias alterações feitas em seu corpo.
O estado de relaxamento auxilia também em casos mais sérios, quando o controle da dor não é suficiente para dispensar o uso da anestesia. É sabido que pacientes odontológicos necessitam de maior dose de anestesia quando estão nervosos do que quando estão relaxados. A meditação leva o indivíduo ao estado de relaxamento, daí seu caráter benéfico que tem reflexos no organismo.
Em geral, a dor costuma chamar a atenção de quem a possui, e essa atenção concentrada na dor só faz aumentá-la.

Meditação - O Que é?

O médico norte-americano William Collinge define meditação como "uma prática simples e tranqüila, que encerra um poder extraordinário para auxiliar na resistência à doença e manter a saúde em geral". Mas a meditação é muito mais que isso. Ela proporciona ao praticante o que Clarissa P. Estés, psicóloga junguiana, chama de 'o retorno ao lar', ou seja, a volta para dentro de si mesmo, para um ponto só acessado pelo indivíduo, em condições de absoluta serenidade.
Muitas doenças são auxiliadas exatamente por essa sensação da volta para casa, porque a meditação faz o caminho contrário.
Hoje em dia, a sociedade moderna exige que o homem se afaste de seu eu interior, usando uma ou várias máscaras, a ‘persona’, a forma como nos comportamos em sociedade. Sentimentos como medo, insegurança, desejos, tristezas, não podem ser manifestados, por exemplo, em uma sala de reuniões. Para sobreviver no trabalho, o homem tende a agir de maneira que não é, porque alguns sentimentos não são politicamente corretos de serem expostos. A sociedade considera 'de mau gosto' falar de assuntos pessoais ou considerados 'delicados'. E, geralmente, temas delicados são os temas verdadeiros, que o indivíduo vai adiando até encontrar o estresse. Isso colabora para que o homem se sinta sozinho com seus problemas, fragmentado, distanciado de sua verdadeira natureza.
A meditação é uma técnica que faz com que o indivíduo recupere e mantenha seu eixo, um centro, para onde pode retornar quando quiser. É como a ponta do compasso, que se bem fincada consegue traçar círculos perfeitos, sem que ela (o eixo) saia do lugar. Depois de anos de prática, a pessoa consegue se manter em seu eixo, mesmo estando no convívio social. Isso diminui a tensão e, conseqüentemente, fortalece as defesas imunológicas. É uma reação em cadeia que proporciona, muitas vezes, a cura de uma doença. É assim que a meditação provoca o equilíbrio e a harmonia psíquicos e esta técnica é fundamental no controle da dor, que é a manifestação física de um desconforto antes sentido pela mente, em muitos casos.
Mas como a meditação atua para aliviar a dor? Primeiramente, diz Dr. Howard Fields, da Universidade da Califórnia, diz que o relaxamento, que é cerne da meditação, relaxa a tensão muscular que em geral contribui para a dor. E que a ansiedade envolvida na antecipação da dor - ou em pensar que a dor nunca irá passar - é o que causa a contração muscular. A meditação também modifica a resposta das pessoas à dor, que é mais do que uma sensação física, é algo experimentado na emoção.

Tipos de Meditação

Existem infinitas formas de meditação, derivadas de duas formas básicas:

- Meditação livre - não é conduzida por nenhum instrutor, nem se usa fitas gravadas com instruções, apenas o meditante se senta e deixa que os pensamentos fluam livremente, em silêncio.
- Meditação dirigida - é uma meditação conduzida por um instrutor do início ao fim, ou é dirigida por meio de fita gravada com a voz do instrutor, ou com a própria voz do meditante. Quando as instruções da meditação incluem imagens, entra no campo da visualização.

Ambas as formas de meditação podem ser auxiliadas por:

- silêncio total, ou música suave.
- sons de água, sinos, vento, animais (o som da baleia, por exemplo).
- aromas e/ou cores.
- mantras.
- pontos focais de meditação.

Mantras são sons ou seqüência de sons silábicos, que se repetem muitas e muitas vezes. Mesmo que conheçam o significado das palavras, muitas pessoas preferem entoar mantras no seu idioma de origem, pois uma frase conhecida (no próprio idioma do meditante) pode privilegiar o pensamento racional, que não é o objetivo na meditação. Um ponto focal de meditação é um objeto, uma imagem, uma vela, ou mesmo uma flor ou planta, onde o praticante concentra seu ângulo de visão e se põe a meditar. Na meditação, as imagens não são usadas para fins de adoração (o Deus cristão, ou deuses de outras religiões), mas apenas como ponto de referência e de concentração. Os pontos focais de meditação auxiliam o praticante a não dispersar sua atenção e suas energias, por exemplo, com pessoas entrando e saindo do recinto, vozes ou objetos espalhados pelo ambiente. No zen budismo, não há ponto focal, senão simplesmente a parede nua, simbolizando o vazio, para onde o praticante se volta para meditar.
É o que ensina Petrucio Chalegre, praticante zen há 27 anos e diretor da Fundação Todatsu. Segundo Chalegre, "a prática da meditação existe em todas as linhas budistas mais antigas, com poucas exceções". E dá exemplos: "Podemos dizer que as linhas principais diferem em termos de métodos de treinamento, umas mais monásticas (theravada), outras mais voltadas aos leigos (mahayanas), outras ainda com práticas elaboradas de visualizações (vajrayana), mas com um substrato comum bem estabelecido".
No zen, diz ele, se dá principalmente "a imobilidade física e o esvaziamento mental", para deixar de lado "todos os juízos e pensamentos". Quanto à freqüência, "a prática pode ser bem intensiva, todos os dias e, nos mosteiros, ela acontece várias horas por dia", diz o zen budista.
Há infinitas variações da técnica de meditação, a qual pode ser feita individualmente ou em grupo. O que varia são os temas ou enfoques escolhidos como auxiliar na técnica, como os temas religiosos - hindus, budistas, católicos, mas isto não deve atrelar a meditação a qualquer religião, devendo ela ser vista como uma técnica terapêutica, antes de tudo.

Vantagens da Meditação

- Evita ou diminui o uso de drogas químicas como anestésicos e analgésicos, que podem causar problemas de intolerância, alergias, fraqueza nas pernas, tontura e outros efeitos colaterais.
- A meditação não tem custo, ou, se tiver (em cursos regulares e sessões de prática), estes são muito menores do que o custo de medicamentos.
- Não há contra-indicações para meditação como há para os remédios, salvo em casos de graves doenças ou transtornos mentais, quando as práticas de meditação devem ser acompanhadas por um médico neurologista ou psiquiatra.
- A meditação, se bem feita e com freqüência, tem abrangência maior do que o motivo inicial que levou o indivíduo a praticá-la, implicando em mudanças de posturas e de atitudes diante da vida que influem beneficamente na saúde física e mental.
- Não há o risco do indivíduo viciar-se em analgésicos quando ele é substituído pelo hábito regular da meditação, que é uma prática saudável.
- Ao praticar meditação, a pessoa deve ter uma meta, um objetivo. No zen, segundo Chalegre, o objetivo da meditação é "clarear as ilusões, desvencilhar-se das crenças e apoios" (muletas, tais como velhos hábitos, rigidez de postura, etc), "compreender o absoluto". Para um budista, a meditação é uma técnica muito utilizada, que ajuda a "acordar como Buda (que significa "desperto") e assim obter a iluminação", relata.
- A vantagem desta técnica, de acordo com o praticante zen, é que ela pode ser usada por qualquer um para obter calma, relaxamento físico, diminuição das tensões mentais, serenidade".
- Chalegre considera benéfica a meditação zen, silenciosa, de frente para uma parede, isolada e exigente. "Seus efeitos são extremamente rápidos", ele explica, e "desde a primeira experiência as pessoas começam a descobrir coisas sobre si mesmas, seus pensamentos, seu estado psicológico, suas tensões".
- A meditação desvia a atenção da dor, fazendo com que o indivíduo comece a ter uma percepção maior de outras sensações, ficando mais claro para ela os sons, o paladar, as cores, etc. Essa mudança na percepção seletiva é muito importante na diminuição da dor e na recuperação do bom humor, que em geral não existe quando o paciente está debilitado.

Cuidados

- Algumas pessoas mais sensíveis, se colocadas desde o início a meditar por longo período, podem ter alucinações - o mais freqüente é a pessoa ver luzes, auras, e às vezes figuras em movimento. Por isso, elas devem ser ensinadas a entrar e a sair do estado medidativo lentamente, não de forma brusca, e começar com períodos curtos, aumentando depois com a prática, pois podem mergulhar em um estado de transe mais profundo, próximo da auto-hipnose.
- As pessoas que meditam devem ser incentivadas a serem produtivas na sua vida diária, fazendo tarefas de rotina, para que não se isolem de seu quotidiano, pois as sensações obtidas na meditação são muito atraentes.
- O cuidado na escolha de um instrutor é essencial, pois este pode conduzir a pessoa a um ponto importante de seu auto-conhecimento, do controle de sua mente-corpo, ou a lugar nenhum.
- Toda meditação por si mesma é benéfica, e o praticante não deve ser induzido a entrar em uma nova religião, principalmente se não for essa sua vontade, em troca de aprender como meditar.
- Como são inúmeros os centros de meditação, é natural que a pessoa, ao procurar pela primeira vez, fique como um pássaro voejando em busca de seu ninho, até encontrar o 'lugar certo', isto é, o lugar onde ela se sinta mais confortável. Para isso, a pessoa não deve se constranger mas deve sempre questionar, fazer perguntas, exercer seu senso crítico, toda vez que for necessário.
- Por outro lado, para aprender, é preciso também que a pessoa se esvazie de seu sistema de crenças, como um copo que, para ser enchido, precisa antes estar vazio, caso contrário ela não aprenderá nada.
- É aconselhável que a pessoa que procura a meditação para o controle da dor mantenha uma espécie de diário e registre ali suas impressões, para ver mais adiante se a meditação está dando resultados, e discuta isso com seu médico.
- O praticante zen diz que a técnica tem se espalhado entre profissionais da área médica, da psiquiatria e da psicologia. Existindo então essa ajuda profissional, já é possível falar em alguns cuidados. Para Chalegre, "pessoas com distúrbios devem ser avaliadas antes, não devem sentar-se a sós para meditar, pois a solidão pode aguçar fantasias se não houver orientação adequada".

Curiosidades

- Terry Cliford, estudioso da psiquiatria budista, recomenda entoar o maior número de vezes possível o mantra budista (tibetano) da medicina: Teyata - Om bekanze bekanze mahabekanze bekanze raza samudgate swaha. Simplesmente lido, um mantra pode parecer estranho aos olhos ocidentais. Mas quando se entra em um ambiente onde o mantra é entoado em coro, seu som traz uma impressionante sensação de paz e de conforto que de imediato faz com que o indivíduo se sinta confortável.
- Chalegre relata que há experiências em que a meditação ajuda no controle da dor: "os praticantes adquirem grande tolerância a todos os eventos externos e o controle da mente se extende sobre todo o seu ser". E acrescenta: "Há relatos bem modernos e documentados (guerra do Vietnã) de pessoas que foram queimadas vivas em posição de meditação sem uma manifestação física".
- Perguntado como ele definiria o que é meditação, Chalegre afirma: "Não definiria. Não se explica o sabor do sal, dá-se um pouco para provar e pronto".
- Hugues Ferté, diretor geral dos Laboratório Canonne (fabricante das pastilhas Valda), criou uma sala de meditação, com ambiente oriental, e uma sala de ginástica para seus 100 funcionários no Rio de Janeiro, onde ele mesmo conduz a meditação. A ginástica pode ser feita desde as 6 horas, antes do trabalho, e a meditação é feita por meia hora, durante o almoço, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas que ali trabalham. Simpatizante do budismo, Ferté se exercita antes de ir para o trabalho, em sua sala decorada (como a sala de meditação da empresa) em estilo oriental, privilegiando cores claras e luz natural, com vidros, de onde ele pode ver o laboratório. A meta de Ferté é que o trabalho seja uma extensão de sua casa e dos funcionários.
- A Companhia Suzano de Papel e Celulose também entrou no mesmo ritmo. Desta vez, além de relaxamento, existe também a prática da música. Vanda Guimarães, secretária da presidência da empresa, conduz nos intervalos do trabalho o coral da Suzano, que, segundo ela, tem proporcionado um enorme bem-estar aos funcionários.
- Enxaquecas, ansiedade, dores nas costas, eczema são alguns dos problemas eliminados por pessoas que meditam, segundo Dr. Fields.
- Há uma enorme variedade de casos estudados com pacientes de câncer, cujas metásteses estacionam ou mesmo diminuem quando o paciente é levado ao relaxamento.
- Estudos feitos por Jon Kabat Zinn, diretor da Estresse Reduction clinic, 65% dos pacientes relataram diminuição da dor, depois de práticas de meditação.

Copyright © 2000 eHealth Latin America 17 de Novembro de 2000

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cuidado com os Recibos - Dez Perguntas para Geraldo Vieira - Revista Encontro

Fonte: Revista Encontro
Grupo GV: Grupo Geraldo Vieira - GV

Especialista alerta para mudanças no imposto de renda e dá dicas para evitar problemas com o fisco

"Cuidado com os recibos"

Por Kátia Massimo
* foto por Cláudio Cunha




Todo ano é a mesma coisa. Chega a hora de declarar o imposto de renda, começa a dor de cabeça para juntar comprovantes de rendimentos, recibos, extratos bancários e outros docu­men­tos. O contribuinte precisa também ficar atento às mudanças que to­dos os anos são impostas para pessoas físicas e jurídicas. Em relação a 2009, por exemplo, não basta informar as despe­sas. É obrigatório esclarecer quais foram feitas pe­lo titular e quais pelo dependente. “Cuidado com a Receita Federal. Ela está cada dia mais eficiente e hoje consegue cercar quase todas as informações do contribuin­te”, diz o contador, auditor e advogado tributarista Geraldo da Silva Vieira, presidente da GV Audito­res Associados, das maiores empresas do setor. Por isso, ele recomenda atenção extra para não omitir qualquer dado. O fisco já tem acesso até mesmo às compras feitas pelo contribuinte com cartão de crédito, além de toda a movimentação bancária. Em entrevista à Encontro, Geraldo Vieira alerta que o sistema de informação está tão avançado que, em breve, a própria Receita vai enviar a declaração pronta pa­ra o contribuinte, que terá apenas o tra­balho de conferir os valores e, claro, contestar, caso discorde dos dados.

ENCONTRO – Que situações podem levar o contribuinte para a malha fina?

GERALDO VIEIRA – Desde erros de CPF de alguma pessoa para a qual foi feito pagamento, até movimentação financeira superior aos rendimentos. Mas o principal problema é a evolução patrimonial a descoberto. Isso significa que o patrimônio do contribuinte cresceu muito além da sua renda. Se alguém declara rendimento de 100 mil reais e teve o patrimônio aumentado em 300 mil reais, por exemplo, não tem jeito. Vai ter que provar como conseguiu viver, pagar todas as despesas e ainda adquirir bens incompatíveis com o rendimento.

ENCONTRO – Qual a dica para evitar problemas?

GERALDO VIEIRA – A cada ano o modelo de declaração está mais sofisticado e exigindo muito mais atenção. Por isso, ninguém deve deixar para fazer a declaração de imposto de renda na última semana. São tantas informações que quem deixar para a última hora corre o risco de não conseguir. O ideal é guardar a documentação mensalmente, durante o ano, e contar com a ajuda de um contador na hora de declarar, já que esse profissional tem conhecimento para identificar e evitar erros. Tem muita gente que cai na malha fina por causa de erros bobos.

ENCONTRO – Até mesmo os pagamentos recebidos de pessoas físicas devem ser declarados?

GERALDO VIEIRA – Todos os rendimentos precisam ser informados, até mesmo aqueles recebidos de aluguéis, resgates de previdência privada, aposentadoria, salários, pres­tações de serviços, pensões e outros. Se for incluir um dependente, a renda dele também precisar ser declarada, mesmo que esteja abaixo do limite de isenção, que este ano é de 17.215 reais.

ENCONTRO – E quando o contribuinte tem outras fontes de renda?

GERALDO VIEIRA – Tem que declarar tudo. É preciso tomar cuidado para não deixar de fora as chamadas receitas ocultas, ou seja, receitas de prestação de serviços ou mesmo uma segunda fonte de renda. A Receita Federal sabe exatamente tudo o que o contribuinte recebeu. Para quem tem duas fontes, o ideal é mesmo antecipar o pagamento do imposto mensalmente, do que deixar para fazer as contas apenas no final do ano, porque assim paga-se um valor menor.

ENCONTRO – Em casos de divergência entre o valor de fato recebido e o comprovante apresentado por alguma fonte pagadora, o que fazer?

GERALDO VIEIRA – Neste caso, o contribuinte deve provar que recebeu aquilo que foi informado na declaração dele, independen­temente do valor apresentado na declaração da fonte. Precisa então reunir comprovantes de depósitos, recibos, extratos bancários, ou seja, toda documentação que puder provar que aquele valor declarado por ele é o real, porque com certeza, em casos de divergência de valores, os dois lados serão chamados pela Receita Federal para identificar quem está certo.

ENCONTRO – E o contribuinte que somente agora viu que cometeu algum erro na declaração do ano passado, como deve proceder?

GERALDO VIEIRA – A retificação na declaração pode ser feita a qualquer momento, desde que o contribuinte não tenha caído na malha fina. O contribuinte deve prestar atenção se a retificação vai implicar no pagamento de imposto ou mesmo na devolução de restituição. Em muitas situações, se ele não retificar logo, pode incorrer em crime. Por exemplo, se esqueceu de declarar algum bem, isso pode ser considerado ocultação de bens e é crime. O melhor é justificar o quanto antes e só depois apresentar a declaração relativa a 2009.

ENCONTRO – O que mudou este ano?

GERALDO VIEIRA – Considero que duas mudanças são mais significativas. A primeira é a isenção de declaração para quem possui patrimônio de até 300 mil reais – valor que até o ano passado era de 80 mil reais. O outro é o fim da obrigatoriedade de declaração para quem é sócio de alguma empresa, porém não possui rendimentos tributáveis. As duas alterações vão eliminar pelo menos 8 milhões de declarações, o que representa quase 30% do total. São contribuintes que eram obrigados a declarar, apesar de não terem rendimentos. Assim, a Receita Federal vai ficar mais desafogada e poderá se concentrar nas declarações de quem realmente interessa.

ENCONTRO – Então o risco de cair na malha fina é maior?

GERALDO VIEIRA – Com certeza, já que a cada ano a Receita Federal está mais eficiente e tem mais controle sobre as informações de cada um dos cidadãos. Hoje, o órgão recebe das operadoras de cartões de crédito um relatório com as movimentações dos clientes e pode cruzar in­formações de gastos e rendimentos. Os bancos também enviam extratos de movimentação financeira de todos os correntistas. A Lei 11.638, aprovada em 2007, abre a possibilidade de a própria Receita enviar a declaração pronta ao contribuinte, com toda as transações de gastos e movimentação bancária. Se o contribuinte não concordar, tem que retificar.

ENCONTRO – Mas checar dados da conta bancária não é ilegal, pois fere o direito constitucional de privacidade?

GERALDO VIEIRA – Quem não concordar, terá que discutir no Judiciário. O Supremo Tribunal Federal já se posicionou pela legalidade, considerando que o interesse público se sobrepõe ao individual. A partir do ano que vem, o controle será ainda mais eficiente, já que em 2010 termina o prazo para que as empresas se ajustem ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Todas as empresas passarão a emitir nota fiscal eletrônica e o contribuinte será obrigado a informar o CPF na hora da compra. Significa que o fisco vai acompanhar tudo em tempo real. Se houver alguma compra incompatível com a renda, o fisco já identifica imediatamente e pode até mandar uma representação para o Ministério Público.

ENCONTRO – E isso é bom para o país?

GERALDO VIEIRA – Excepcional. É coisa de primeiro mundo. Aliás, não existe em lugar nenhum do mundo um sistema eletrônico tão eficiente quanto o do Brasil. Com certeza, o Sped vai acabar com a sonegação e poderá até dobrar a arrecadação no país. A partir de 2011, vamos passar por uma revolução nunca vista, em lugar nenhum do mundo, no que diz respeito ao controle da cobrança de impostos.