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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Justos


"Há duas espécies de homens: uns, justos, que se consideram pecadores, e os pecadores que se consideram justos. " Blaise Pascal

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Salmo 119 - A Excelência da lei do Senhor


Alef. Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR.
Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos, e que o buscam com todo o coração.
E não praticam iniqüidade, mas andam nos seus caminhos.
Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos.
Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos.
Então não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos.
Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos.
Observarei os teus estatutos; não me desampares totalmente.

Bet. Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.
Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos.
Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.
Bendito és tu, ó SENHOR; ensina-me os teus estatutos.
Com os meus lábios declarei todos os juízos da tua boca.
Folguei tanto no caminho dos teus testemunhos, como em todas as riquezas.
Meditarei nos teus preceitos, e terei respeito aos teus caminhos.
Recrear-me-ei nos teus estatutos; não me esquecerei da tua palavra.

Guímel. Faze bem ao teu servo, para que viva e observe a tua palavra.
Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.
Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo.
Tu repreendeste asperamente os soberbos que são amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos.
Tira de sobre mim o opróbrio e o desprezo, pois guardei os teus testemunhos.
Príncipes também se assentaram, e falaram contra mim, mas o teu servo meditou nos teus estatutos.
Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros.

Dálet. A minha alma está pegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra.
Eu te contei os meus caminhos, e tu me ouviste; ensina-me os teus estatutos.
Faze-me entender o caminho dos teus preceitos; assim falarei das tuas maravilhas.
A minha alma consome-se de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra.
Desvia de mim o caminho da falsidade, e concede-me piedosamente a tua lei.
Escolhi o caminho da verdade; propus-me seguir os teus juízos.
Apego-me aos teus testemunhos; ó SENHOR, não me confundas.
Correrei pelo caminho dos teus mandamentos, quando dilatares o meu coração.

He. Ensina-me, ó SENHOR, o caminho dos teus estatutos, e guardá-lo-ei até o fim.
Dai-me entendimento, e guardarei a tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração.
Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer.
Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça.
Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.
Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor.
Desvia de mim o opróbrio que temo, pois os teus juízos são bons.
Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça.

Vav. Venham sobre mim também as tuas misericórdias, ó SENHOR, e a tua salvação segundo a tua palavra.
Assim terei que responder ao que me afronta, pois confio na tua palavra.
E não tires totalmente a palavra de verdade da minha boca, pois tenho esperado nos teus juízos.
Assim observarei de continuo a tua lei para sempre e eternamente.
E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos.
Também falarei dos teus testemunhos perante os reis, e não me envergonharei.
E recrear-me-ei em teus mandamentos, que tenho amado.
Também levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amei, e meditarei nos teus estatutos.

Záin. Lembra-te da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar.
Isto é a minha consolação na minha aflição, porque a tua palavra me vivificou.
Os soberbos zombaram grandemente de mim; contudo não me desviei da tua lei.
Lembrei-me dos teus juízos antiqüíssimos, ó SENHOR, e assim me consolei.
Grande indignação se apoderou de mim por causa dos ímpios que abandonam a tua lei.
Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação.
Lembrei-me do teu nome, ó SENHOR, de noite, e observei a tua lei.
Isto fiz eu, porque guardei os teus mandamentos.

Het. O SENHOR é a minha porção; eu disse que observaria as tuas palavras.
Roguei deveras o teu favor com todo o meu coração; tem piedade de mim, segundo a tua palavra.
Considerei os meus caminhos, e voltei os meus pés para os teus testemunhos.
Apressei-me, e não me detive, a observar os teus mandamentos.
Bandos de ímpios me despojaram, mas eu não me esqueci da tua lei.
Å meia noite me levantarei para te louvar, pelos teus justos juízos.
Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos.
A terra, ó SENHOR, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos.

Tet. Fizeste bem ao teu servo, SENHOR, segundo a tua palavra.
Ensina-me bom juízo e ciência, pois cri nos teus mandamentos.
Antes de ser afligido andava errado; mas agora tenho guardado a tua palavra.
Tu és bom e fazes bem; ensina-me os teus estatutos.
Os soberbos forjaram mentiras contra mim; mas eu com todo o meu coração guardarei os teus preceitos.
Engrossa-se-lhes o coração como gordura, mas eu me recreio na tua lei.
Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos.
Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro ou prata.

Iód. As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para entender os teus mandamentos.
Os que te temem alegraram-se quando me viram, porque tenho esperado na tua palavra.
Bem sei eu, ó SENHOR, que os teus juízos são justos, e que segundo a tua fidelidade me afligiste.
Sirva pois a tua benignidade para me consolar, segundo a palavra que deste ao teu servo.
Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua lei é a minha delícia.
Confundam-se os soberbos, pois me trataram duma maneira perversa, sem causa; mas eu meditarei nos teus preceitos.
Voltem-se para mim os que te temem, e aqueles que têm conhecido os teus testemunhos.
Seja reto o meu coração nos teus estatutos, para que não seja confundido.

Cáf. Desfalece a minha alma pela tua salvação, mas espero na tua palavra.
Os meus olhos desfalecem pela tua palavra; entrementes dizia: Quando me consolarás tu?
Pois estou como odre na fumaça; contudo não me esqueço dos teus estatutos.
Quantos serão os dias do teu servo? Quando me farás justiça contra os que me perseguem?
Os soberbos me cavaram covas, o que não é conforme a tua lei.
Todos os teus mandamentos são verdade. Com mentiras me perseguem; ajuda-me.
Quase que me têm consumido sobre a terra, mas eu não deixei os teus preceitos.
Vivifica-me segundo a tua benignidade; assim guardarei o testemunho da tua boca.

Lámed. Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu.
A tua fidelidade dura de geração em geração; tu firmaste a terra, e ela permanece firme.
Eles continuam até ao dia de hoje, segundo as tuas ordenações; porque todos são teus servos.
Se a tua lei não fora toda a minha recreação, há muito que pereceria na minha aflição.
Nunca me esquecerei dos teus preceitos; pois por eles me tens vivificado.
Sou teu, salva-me; pois tenho buscado os teus preceitos.
Os ímpios me esperam para me destruírem, mas eu considerarei os teus testemunhos.
Tenho visto fim a toda a perfeição, mas o teu mandamento é amplíssimo.

Mem. Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.
Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre comigo.
Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação.
Entendo mais do que os antigos; porque guardo os teus preceitos.
Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra.
Não me apartei dos teus juízos, pois tu me ensinaste.
Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca.
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.

Nun. Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.
Jurei, e o cumprirei, que guardarei os teus justos juízos.
Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua palavra.
Aceita, eu te rogo, as oferendas voluntárias da minha boca, ó SENHOR; ensina-me os teus juízos.
A minha alma está de contínuo nas minhas mãos; todavia não me esqueço da tua lei.
Os ímpios me armaram laço; contudo não me desviei dos teus preceitos.
Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração.
Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim.

Sámech. Odeio os pensamentos vãos, mas amo a tua lei.
Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na tua palavra.
Apartai-vos de mim, malfeitores, pois guardarei os mandamentos do meu Deus.
Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança.
Sustenta-me, e serei salvo, e de contínuo terei respeito aos teus estatutos.
Tu tens pisado aos pés todos os que se desviam dos teus estatutos, pois o engano deles é falsidade.
Tu tiraste da terra todos os ímpios, como a escória, por isso amo os teus testemunhos.
O meu corpo se arrepiou com temor de ti, e temi os teus juízos.

Aín. Fiz juízo e justiça; não me entregues aos meus opressores.
Fica por fiador do teu servo para o bem; não deixes que os soberbos me oprimam.
Os meus olhos desfaleceram pela tua salvação e pela promessa da tua justiça.
Usa com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus estatutos.
Sou teu servo; dá-me inteligência, para entender os teus testemunhos.
Já é tempo de operares, ó SENHOR, pois eles têm quebrantado a tua lei.
Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino.
Por isso estimo todos os teus preceitos acerca de tudo, como retos, e odeio toda falsa vereda.

Pe. Maravilhosos são os teus testemunhos; portanto, a minha alma os guarda.
A entrada das tuas palavras dá luz, dá entendimento aos símplices.
Abri a minha boca, e respirei, pois que desejei os teus mandamentos.
Olha para mim, e tem piedade de mim, conforme usas com os que amam o teu nome.
Ordena os meus passos na tua palavra, e não se apodere de mim iniqüidade alguma.
Livra-me da opressão do homem; assim guardarei os teus preceitos.
Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos.
Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei.

Tsádi. Justo és, ó SENHOR, e retos são os teus juízos.
Os teus testemunhos que ordenaste são retos e muito fiéis.
O meu zelo me consumiu, porque os meus inimigos se esqueceram da tua palavra.
A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama.
Pequeno sou e desprezado, porém não me esqueço dos teus mandamentos.
A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade.
Aflição e angústia se apoderam de mim; contudo os teus mandamentos são o meu prazer.
A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me inteligência, e viverei.

Cof. Clamei de todo o meu coração; escuta-me, SENHOR, e guardarei os teus estatutos.
A ti te invoquei; salva-me, e guardarei os teus testemunhos.
Antecipei o cair da noite, e clamei; esperei na tua palavra.
Os meus olhos anteciparam as vigílias da noite, para meditar na tua palavra.
Ouve a minha voz, segundo a tua benignidade; vivifica-me, ó SENHOR, segundo o teu juízo.
Aproximam-se os que se dão a maus tratos; afastam-se da tua lei.
Tu estás perto, ó SENHOR, e todos os teus mandamentos são a verdade.
Acerca dos teus testemunhos soube, desde a antiguidade, que tu os fundaste para sempre.

Reish. Olha para a minha aflição, e livra-me, pois não me esqueci da tua lei.
Pleiteia a minha causa, e livra-me; vivifica-me segundo a tua palavra.
A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos.
Muitas são, ó SENHOR, as tuas misericórdias; vivifica-me segundo os teus juízos.
Muitos são os meus perseguidores e os meus inimigos; mas não me desvio dos teus testemunhos.
Vi os transgressores, e me afligi, porque não observam a tua palavra.
Considera como amo os teus preceitos; vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua benignidade.
A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre.

Shin. Príncipes me perseguiram sem causa, mas o meu coração temeu a tua palavra.
Folgo com a tua palavra, como aquele que acha um grande despojo.
Abomino e odeio a mentira; mas amo a tua lei.
Sete vezes no dia te louvo pelos juízos da tua justiça.
Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço.
SENHOR, tenho esperado na tua salvação, e tenho cumprido os teus mandamentos.
A minha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os excessivamente.
Tenho observado os teus preceitos, e os teus testemunhos, porque todos os meus caminhos estão diante de ti.

Tav. Chegue a ti o meu clamor, ó SENHOR; dá-me entendimento conforme a tua palavra.
Chegue a minha súplica perante a tua face; livra-me segundo a tua palavra.
Os meus lábios proferiram o louvor, quando me ensinaste os teus estatutos.
A minha língua falará da tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça.
Venha a tua mão socorrer-me, pois escolhi os teus preceitos.
Tenho desejado a tua salvação, ó SENHOR; a tua lei é todo o meu prazer.
Viva a minha alma, e louvar-te-á; ajudem-me os teus juízos.
Desgarrei-me como a ovelha perdida; busca o teu servo, pois não me esqueci dos teus mandamentos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Você pensa que Amor Platônico é apenas o Amor não correspondido?

Você pensa que Amor Platônico é apenas o Amor não correspondido? Ou, o que te faz ser cometer loucuras? Pense novamente. Após a leitura deste artigo, você entenderá esse atos do Amor Platônico, nada mais é que o "Puro Amor". ( "O Amor é uma loucura que é dádiva divina, fonte das principais bênçãos concedidas ao homem." Platão).

Amei a fala: “Sim, você é louca, louquinha. Mas vou lhe contar um segredo: As melhores pessoas são assim!” Alice no País das Maravilhas.



Lembremos das palavras do profeta Mórmon:

“Mas a caridade é o puro amor de Cristo e permanece para sempre; e para todos os que a possuírem, no último dia tudo estará bem. Portanto, meus amados irmãos, rogai ao Pai, com toda a energia de vosso coração, que sejais cheios desse amor (…).” (Morôni 7:47–48).


Entrevista com Renée Weber, por Scott Minners, extraída do livro A visão espiritual da relação Homem e Mulher; Ed. Teosófica

Todos já ouvimos falar de amor platônico e presumimos que ele está relacionado com a filosofia de Platão.

O que é isso, exatamente?

O amor platônico é o mais incompreendido de todos os conceitos de Platão. As pessoas, que em sua maioria não conhecem a obra de Platão, pensam que amor platônico significa somente amor ascético [Os ascéticos acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e de fato a obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior]. Isso não é verdade. Em O Banquete, Platão apresenta o amor sexual como um ato natural, mas com raízes infinitamente mais profundas.

No pensamento de Platão existe um princípio cósmico sobre o amor?

Sim. Para Platão o amor é um princípio cósmico. Ele afirmou que o amor é uma escada com sete degraus, que vão do amor por uma pessoa até o amor pelas realidades superiores do universo. Todo o livro O Banquete, sua mais importante obra sobre esse assunto, é dedicado ao amor em seus diversos aspectos. Ele diz que, mesmo que eu me apaixone por uma pessoa, atraído por qualidades, fixar-me exclusivamente nessa pessoa é permanecer no primeiro degrau de uma escada que possui muitos outros.

O passo inicial nessa escada, para a maioria das pessoas, ocorre através do amor físico. Platão diz que o ser humano busca a imortalidade através da pessoa amada, por meio da procriação. Entretanto, fixar-se nesse primeiro degrau é permanecer parado, em comparação a tudo o que uma pessoa pode vir a ser.

Isso não quer dizer que Platão negue o corpo ou o amor físico. Ele apenas afirma que, se eu deixar de ampliar esse relacionamento e não subir até os outros seis degraus, irei permanecer estagnado. Os passos seguintes serão um desdobramento natural da condição humana.

Aonde mais o amor pode levar? Como ele pode crescer até dimensões maiores?

O diálogo completo de O Banquete é a resposta de Platão a essa pergunta. No livro, diversas figuras da sociedade ateniense estão reunidas discutindo a natureza, o sentido e as implicações do amor. Elas fazem várias descrições de amor, todas unilaterais, embora não falsas, até chegar a vez de Sócrates. Uma das pessoas disse que o amor nos faz adotar atitudes nobres para sermos merecedores do amado. Outra afirmou que o amor é uma espécie de frenesi e loucura, e outros, como Aristófanes, classificaram-no como a busca da nossa outra metade.

Você poderia perguntar como é que a nossa "outra metade" se extravia. Segundo Platão, Aristófanes disse que todas as pessoas têm corpos duplos e dupla face. Haveria três tipos de humanos no mundo. Na figura homem/homem, o corpo todo era formado por figuras masculinas. Um outro tipo seria composto por elementos femininos, e por último haveria o masculino/feminino. É um outro modo de afirmar que não somos seres completos, e que os movimentos do amor são uma busca de complemento.


Platão diz que o amor "é uma loucura que é dádiva divina, fonte das principais bênçãos concedidas ao homem."

Exatamente. Ele tem uma visão muito exaltada do amor entre os sexos e, na verdade, não quer que subestimemos o seu alcance e significado. Acho que ele emprega o termo loucura para se referir ao primeiro degrau, porque, sob a influência da paixão física, perdemos de vista perspectivas e prioridades. A alma anseia tanto pelo contato com a outra pessoa que perde o juízo.

Quando você está apaixonado, é como se o universo estivesse concentrado na outra pessoa. Isso não é necessariamente falso. Platão diz que, em certo sentido, o universo realmente está nessa pessoa. Você só precisa transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.


Mas, no primeiro nível da escada, esse seria apenas um tipo de amor com motivação pura ou incluiria também uma relação amorosa normal, com suas doses de motivação egoísta?

Essa é uma pergunta vital para compreender a ótica de Platão sobre o amor. Tudo o que ele disse em O Banquete - ao amar uma pessoa você está amando o universo e vice-versa - relaciona-se ao amor genuíno, sem egoísmo. Ele jamais apóia o relacionamento físico apenas como meio de obter prazer.

Seria correto dizer que, para Platão, o relacionamento sexual significa mais que um impulso instintivo, porque poderia colocar a pessoa na senda do amor autotranscendente?

Sim, mas com a ressalva que você acabou de levantar: desde que seja uma paixão genuína, carinhosa e abnegada. Em todos os diálogos de Platão, o uso do outro simplesmente para uma gratificação egoísta se dissocia dessa senda; é uma cilada, um perigo, não é amor e não levará a lugar algum.

O amor platônico é tão amplo e universal que, embora comece como amor pela forma bela, termina como o amor pela própria beleza, um princípio eterno do universo. Você é levado, de um modo muito natural, a perceber que todas as formas belas são dignas de amor, se torna sensível a todas elas. Platão emprega constantemente o termo beleza; a beleza das idéias toma-se tão ou mais real que a beleza física.


Amor e beleza estão ligados. Você vê beleza quando está amando. À medida que progride, você sente por todas as formas belas a espécie de exaltação que experimentou quando se apaixonou pela primeira vez. Quando permite que o amor o leve para a frente, você sai do particular em direção ao múltiplo. (O Múltiplo é Deus)



Em seguida, você vê que a beleza da mente é mais maravilhosa que a beleza da forma. Platão afirma que você se apaixona pela qualidade da mente de uma pessoa mesmo que sua forma física não seja tão graciosa. Essa é uma progressão do concreto para o imaterial, sob a influência e inspiração do amor.

Esse é o passo número dois?

Não. O passo número dois é amar todas as formas físicas belas. O terceiro passo é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada.

E qual é o passo seguinte?

O quarto passo da escada do amor é a ética - o amor pelas práticas belas. Envolve integridade, justiça, bondade, consideração - características que também contêm beleza e impelem ao amor. É um passo mais abrangente e universal. Ele conduz ao degrau número cinco, que é o amor pelas instituições belas.

Esse quinto estágio diz respeito ao modo como a sociedade funciona quando suas instituições estão em equilíbrio e harmonia. Trata-se de amor pelo governo, pela cultura e por tudo que a obra A Republica cita como exemplo de instituições belas. O bem comum é o interesse primordial, não o bem do indivíduo, do núcleo familiar ou mesmo da pequena comunidade.

Desse ponto, a alma ascende para o sexto degrau da escada do amor. Ele é uma curva gigantesca para o alto, em direção ao universal e ao abstrato. A isso Platão chama "ciência", ou seja, conhecimento e compreensão. No sexto passo você se apaixona pela ciência, que articula não só as leis que governam o indivíduo, a família e a sociedade, mas algo que transcende o meio local. A beleza da ciência é universal, como o Teorema de Pitágoras.


Ou como a biologia da Terra?

Exatamente. E como o universo de Einstein, que inclui o cosmo inteiro. A ciência apresenta beleza, harmonia e ordem. Você pode se apaixonar por isso tão profundamente quanto por um homem ou por uma mulher. Os grandes cientistas como Einstein, Kepler, Galileu e Newton afirmaram que, ao articularem as leis do universo, estavam estudando a lógica, a ordem e a beleza da mente de Deus.

Giordano Bruno, filósofo e cosmólogo executado pela Inquisição em l600, preferiu ser queimado na fogueira a negar seu insight científico de um universo infinito e interligado. Ele manifestou uma paixão tão profunda pelas leis do universo que defendeu sua visão assim como um homem defenderia a mulher amada de uma agressão. Preferiu a morte à negação desse amor. Isso é amor verdadeiro .

 

E o sétimo degrau?

Sócrates fala sobre ele em O Banquete. Você sabe que algo importante está para ser dito quando ele começa a falar, alegando que aprendeu tudo com uma sacerdotisa sagrada chamada Diotima. Nesse ponto, Platão prepara a audiência para esperar algo importante e profundo, e não nos desaponta.

Diotima afirma existirem os mistérios menores e maiores do amor. Os mistérios menores são os quatro primeiros degraus. Mas, ao explicar como ascendemos na escada, ela se detém; há uma espécie de momento solene no discurso. Ela diz a Sócrates: "Esforça-te, por favor, por estar o mais atento possível".

Sempre que um personagem de Platão diz isso, você sabe que ele vai articular um ensinamento esotérico. É um momento cercado de grande solenidade, onde o autor chama a atenção para algo importante.

Os mistérios maiores do amor (os degraus cinco, seis e sete) evoluem na direção da visão universal. Diotima afirma que, entre os passos seis e sete, passamos quase imperceptivelmente do mundano para as realidades superiores do universo. Platão emprega a palavra subitamente. Depois de passarmos por todos os degraus, ocorre, no sétimo passo, uma diferença de gradação; subitamente você vê não a manifestação da beleza, mas a beleza em si. Esse é o ponto alto dos sagrados mistérios. O amor se expressa como a manifestação eterna da beleza em si. Você se apaixona pela essência que torna belas todas as coisas.

Segundo o discurso de Diotima, em O Banquete, "apenas em tal comunhão, mirando a beleza com os olhos da mente, o homem será capaz de suscitar não projeções de beleza, mas realidades (pois ele entronizou não uma imagem, mas uma realidade), produzindo e nutrindo a verdadeira virtude para tornar-se o amigo de Deus, um ser imortal".

Isso soa como um contato visionário com uma realidade ou verdade suprema.

É uma espécie de visão. É como ver o sol na alegoria da caverna, em A República. Depois de viver de costas para o sol e ver apenas sombras na parede, subitamente você vê a luz! É uma fusão com a forma amada, a integralidade; é uma espécie de imortalidade.

O amor  físico é o início da busca da totalidade. O final é a visão do que está por trás do universo, do que o faz girar. Portanto, no sétimo degrau da escada do amor, apaixonar-se é unir-se à origem do ser. É uma espécie de doutrina mística do amor, e esse é o amor platônico. Trata-se de um ponto de vista comovente e inspirador, que transcende enormemente a idéia de ficar de mãos dadas com alguém.

Platão diria que o amor está no centro da vida universal?

Sim. Em O Fedro, ele utiliza uma outra metáfora para mostrar essa mesma idéia de amor, oscilando entre o mortal e o imortal, entre o específico e o universal, entre o concreto e o abstrato. Nessa obra, os amantes são impelidos a buscar regiões mais elevadas, formas mais puras de amor. Por isso, criam asas. As asas permitem que eles voem até a borda do universo, onde eles vêem as formas eternas, ou seja, a essência das coisas temporais.

Em seguida Platão expõe outra metáfora: a da carruagem puxada por dois cavalos, um branco e outro negro. O garanhão negro representa o amor egoísta, quando uma pessoa usa a outra para a autogratificação. Uma pessoa comandada pelo cavalo negro clama pela satisfação imediata dos seus desejos, sempre orientada pelo egoísmo. Se esse garanhão sombrio governa, ele perturba o equilíbrio da manada. Esse tipo de amor não conduz ao amor universal.

São afirmações como essas que revelam a tendência ascética de Platão. [Os ascéticos acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e de fato a obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior]. Assim, ele adverte contra o tipo de amor excessivo, desequilibrado e autocentrado. (Quando há somente o físico). Isso não é amor, em absoluto; é apenas amor-próprio. Mas se a pessoa ama verdadeiramente, o cavalo branco ajuda a governar, de forma que todo o grupo - o cavalo branco, o cavalo negro e o cocheiro - possa ascender em direção à "borda do céu" e visualizar as verdades eternas. O cavalo branco fornece equilíbrio com seu bom senso, integridade, altruísmo e interesse pelo outro.

O cavalo negro seria um símbolo dos sentidos físicos, enquanto o branco seria aquilo que está além dos sentidos?

Essa é a idéia, em termos gerais.

E o condutor do grupo? O que ele simboliza?

Ele representa a alma e a visão da alma, o bom senso, a pureza, o desejar espiritual. O amor pode ser a própria carruagem, o veículo para nos conduzir a uma nova dimensão do ser e proporcionar vislumbres de outros estados de consciência, no próprio ato do amor.
Ao universalizar o conceito de beleza manifestada na forma, Platão a vincula ao amor?

Atualmente poderíamos dizer que Platão sustenta uma união sexual intensa e profunda como a antecipação do êxtase da união com a realidade espiritual divina que está por trás do universo. É a imortalidade do homem simples. É uma manifestação, mesmo que reduzida, da união divina. Por isso, os seres humanos certamente valorizam a experiência do amor e do sexo. Por meio de um amor sexual intenso, cada um de nós experimenta por breves momentos a autotranscendência e a abnegação.
No degrau número sete da escada, essa autotranscendência, que era breve e momentânea, transforma-se no estado natural onde passamos a habitar o tempo inteiro. O "eu" desapareceu no segundo plano. No primeiro plano passaram a brilhar as verdades eternas, o bem e a beleza, entendidos como indissolúveis e evidentes para a alma capaz de vê-los.
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Comentários:
 
A essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes. Sabemos do maravilhoso Plano de Salvação que nós foi dado pelo nosso Pai Celestial e que somente é possível o Casal "ascender em direção à "borda do céu" e visualizar as verdades eternas", como dito por Platão, se:
 
1 - Tivermos Fé em Jesus Cristo;
2 - Arrependermos de nossos Pecados;
3 - Batismo por imersão, para remissão dos Pecados (Marcos 1:4; Atos 2:38; Atos 22:16)
 
Pela fé, cremos que ao sermos batizados nossos pecados foram perdoados por meio da Expiação de Jesus Cristo. A imersão é necessária, o Apóstolo Paulo ensinou que ser imergido na água e sai dela simboliza a morte, o sepultamento e a ressureição. Após o batismo, começamos uma nova vida.
 
"Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?
De sorte que fomos sepultados com ele pelo Batismo na morte, para que, com Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela Glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressureição. " (Romanos 6:3-5)
4 - Imposição de mãos para  o Dom do Espírito Santo;
5 - Obediência às Leis e ordenanças do Evangelho,


Maior Mandamento: Amai a Deus acima de Todas as Coisas e o próximo como a Ti Mesmo.

"Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam. - Porque, se somente amardes os que vos amam que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? - Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? - Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial.


"Com efeito, se se observam os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum haver que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: "Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai Celestial". "

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Visão contínua. Um texto de Nicolau de Cusa




Visão contínua. Um texto de Nicolau de Cusa

Esforço-me por ser bom, porque tu és bom.

Esforço-me por ser justo, porque tu és justo.
Esforço-me por ser misericordioso, porque tu és misericordioso.
O meu esforço não está voltado senão para ti,
porque todo o teu esforço está voltado para mim.
Olho só para ti com a máxima atenção
e jamais desvio os olhos da mente,
porque tu me abraças com uma visão contínua.
Volto o meu amor para ti,
porque tu, que és caridade, estás voltado para mim.
E o que é, Senhor, a minha vida
senão o abraço com o qual a doçura do teu amor
me abraça tão amorosamente?
Amo ao máximo a minha vida, porque tu és a doçura da minha vida.
Nicolau de Cusa (1401-1464)
Referência:http://tribodejacob.blogspot.com

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Provérbios de Salomão



Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes a prudência.
Pois dou-vos boa doutrina; não deixeis a minha lei.
Porque eu era filho tenro na companhia de meu pai, e único diante de minha mãe.
E ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive.
Adquire sabedoria, adquire inteligência, e não te esqueças nem te apartes das palavras da minha boca.
Não a abandones e ela te guardará; ama-a, e ela te protegerá.
A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento.
Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará.
Dará à tua cabeça um diadema de graça e uma coroa de glória te entregará.
Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida.

No caminho da sabedoria te ensinei, e por veredas de retidão te fiz andar.
Por elas andando, não se embaraçarão os teus passos; e se correres não tropeçarás.
Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida.

Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus.
Evita-o; não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo.
Pois não dormem, se não fizerem mal, e foge deles o sono se não fizerem alguém tropeçar.
Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência.

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.
O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.

Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido.
Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no íntimo do teu coração.
Porque são vida para os que as acham, e saúde para todo o seu corpo.
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.

Desvia de ti a falsidade da boca, e afasta de ti a perversidade dos lábios.
Os teus olhos olhem para a frente, e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti.
Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados!
Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.
Provérbios 4:1-27